Eternal
Hunters


— Papai, me conte uma história.

— Há muito tempo atrás, existia um homem de pele pálida e cabelos negros que nunca estava acompanhado.

— Ele gostava de ficar sozinho?

— Não. Mas tudo que existia precisava encontrar esse homem, então, afastaram-se dele.

— E ele perseguiu todos?

— O homem então se dividiu em dois com um machado, bem ao meio.

— Para que ele tivesse um amigo?

— Sim, para que ele nunca mais estivesse sozinho.


A LENDA

Lados distintos de um único fim, a Morte. Você aceita o seu destino de bom grado ou lutará por sua vida?


Memórias

Lembranças de uma flecha certeira e uma caça sombria.


FATOS

Um homem. Dois caçadores.

Distintos, mas nunca separados, os Kindred representam as essências gêmeas da morte. O arco do Cordeiro oferece um desprendimento rápido para aqueles que aceitam a morte. O Lobo caça aqueles que fogem de seu fim, entregando-lhes a violência derradeira de suas presas esmagadoras. Embora interpretações diferentes da natureza dos caçadores variem por toda Rússia, todo mortal deve escolher a verdadeira face de sua morte.

Os caçadores eternos são o envolvimento do branco do nada e a perfuração dos dentes no escuro. Criador e Destruidor, poeta e primitivo; são um e são ambos. Quando pegos no limite da vida, soando mais alto do que qualquer trombeta, está a pulsação martelante que chama os Kindred à sua caça.

“Levante-se e cumprimente o arco prateado do Cordeiro para que suas flechas lhe derrubem rapidamente. Caso o recuse, o Lobo fará de você sua alegre caçada, onde a perseguição sempre leva ao fim brutal.”

Os Kindred existem no mundo desde que as pessoas reconhecem a morte. Quando chega a hora final, um justo de verdade fica de frente para o cordeiro e recebe a flecha que selará seu destino, enquanto o egoísta, vira alvo do lobo pelas ruas. Nos tempos antigos, tribos beijavam o Lobo, honrando sua caçada com a morte dos inimigos. Após cada catástrofe natural que acontecia no mundo, comunidades na Rússia se juntavam para celebrar os sobreviventes e honrar aqueles que receberam a verdadeira morte do Cordeiro e do Lobo.

Negar os Kindred é o mesmo que negar a ordem natural das coisas. Foram poucos os capazes de iludir esses caçadores. Essa fuga perversa não é um santuário, pois nela existe apenas um pesadelo ambulante. Os caçadores aguardam aqueles que enganam a morte, porque sabem que tudo eventualmente sucumbirá as flechas do Cordeiro ou aos dentes do Lobo.

A aparição mais antiga dos Kindred vem de um par de máscaras antigas, feitas por mãos desconhecidas nos túmulos de pessoas há muito tempo esquecidas. Contudo, até hoje, o Cordeiro e o Lobo permanecem juntos, e sempre serão os Kindred.


Stalingrado, 1943

A segunda guerra mundial caiu para eles como se fosse um banquete. Vidas deliciosas — tantas para se achar e tantas para se caçar! O lobo avançou pela neve enquanto o Cordeiro dançava e saltava graciosamente sobre as trincheiras; a carnificina sangrenta incapaz de manchar sua pelagem alva.

— Há coragem e dor aqui, Lobo. Muitos, agradecidos e corajosos, encontrarão seu fim. — Ele empunhou o arco e disparou uma flecha de rápida finalidade.

O último suspiro de um jovem russo veio junto de um inacabado consentimento, ao mesmo tempo em que seu corpo cedeu ao sangramento causado pela quantidade de balas que lhe atingiram. Presa em seu coração jazia uma única flecha branca, faiscando com brilho um etéreo.

— A coragem me causa tédio. — Rosnou o rapaz que pulou e tomou forma de um grande lobo preto, enquanto acompanhava o arqueiro pela neve. — Tenho fome e vontade de caçar.

— Paciência. — A voz calma murmurou em sua orelha. Assim que as palavras lhe saíram, os ombros do Lobo se tensionaram e seu corpo passou a se esgueirar pelos cadáveres.

— Sinto cheiro de medo. De maldade também... — Ele disse, tremendo de empolgação.

Ao longo do enlameado campo nevado, um soldado — com vestes que não escondiam sua origem alemã, viu que os Kindred haviam marcado todos na linha de frente.

— Eu quero devorar a carne macia. Ele nos vê, Cordeirinho?

— Sim, mas precisa escolher. Alimente o lobo ou aceite meu arco.

Pronunciou a última frase olhando diretamente para o próximo alvo. A batalha convergiu, a força soviética avançando em direção aos restantes de seus inimigos, os expulsando dali. Ele agora fitava a maré turva de bravura e desespero que dele surgia. Esse seria seu último tiro. Naquele momento, o soldado tomou sua decisão. Ele não aceitaria seu destino.
Até o último suspiro, ele fugiria.

O Lobo disparou pelo terreno e brincou com a neve como se fosse um dócil filhote.

— Caro Lobo. — A voz do Cordeiro ecoava como um barbante de sinos perolados. — Que a caçada tenha início.

Com isso, o Lobo ricocheteou pelo campo atrás do jovem; seu uivo trovejando por toda Stalingrado. Seu corpo sombreado ignorando os cadáveres recentes e suas inúteis armas.

O soldado se virou e correu até que os destroços e resquícios de um confronto passassem por ele como um borrão. Ele persistiu; o ar gelado cortava seus pulmões. Seu olhar buscou mais uma vez pelo caçador, mas nada pode ver além do vazio e a escuridão que ele trazia. As sombras se fecharam sobre ele, fazendo-o perceber que não havia escapatória. Aquilo era a sombra do Lobo, e estava em todo lugar ao mesmo tempo. A perseguição chegou ao fim. A silhueta de um homem que tremeluzia e mudava para a de uma fera. O Lobo enterrou seus dentes afiados na garganta do soldado, arrancando fitilhos vibrantes de vida.

A fera refestelou-se no grito do homem e no som de seus ossos esmagados. O Cordeiro, que o acompanhava, riu com a cena. Ele virou-se e encarou a figura alva que agora possuía uma forma humana idêntica a sua.

— Ouviu essa música, Cordeirinho?

— Sim. É a sua música, Lobo.

— Quero orquestrá-la novamente. — O Lobo lambeu a última gota da vida do soldado presa em seus dentes caninos. — Quero caçar.

— Sempre haverá mais. — Ele sussurrou. — Até o dia em que houver somente um de nós.

— E então, você vai fugir de mim?

A silhueta envolvida por um brilho alvo quase celestial voltou-se para o campo repleto de marcas do confronto que acontecera ali.

— Eu nunca fugiria de você, Caro Lobo. — a promessa silenciosa veio com um tremeluzir rápido em ambos os seres. — Nunca um...

— Sem o outro. — O grunhido completou, se juntando novamente a sua outra metade e voltando a ser apenas um.

O Cordeiro.

Dois Caçadores

— Os caçadores eternos existem antes mesmo da morte ter seu próprio significado.

— A cada 100 anos, Os Kindred reencarnam em outro corpo, sendo este também de origem sobrenatural.

— Atualmente vive sob o nome de Dominic Gideon Lightwood, um caçador das sombras
.
— Graças a divisão de seu corpo no início dos tempos, sua personalidade sofre leves alterações durante o dia e com mais frequência durante a noite, quando o seu lobo quer dominar e caçar.

— Quando precisa cumprir seu dever, seu corpo se divide em dois seres etéreos, idênticos e ainda assim totalmente diferentes.

— Como Cordeiro, costuma ser alguém justo e com um Q de liderança; já como lobo, sua irresponsabilidade e sede por aventura vem à tona.

— Suas duas metades são fiéis ao propósito inicial, não falhando uma única vez quando se trata de levar a morte até aqueles que cumpriram seu destino.

— Seu bem mais precioso é a família recém-formada, a qual é capaz de proteger com todas as suas flechas e garras.

O Cordeiro.

Um homem

Caçadores das Sombras, também conhecidos como Nephilim, são uma raça secreta de humanos nascidos com sangue angelical. Eles têm lutado contra demônios e vivido ao lado dos Seres do Submundo no Mundo das Sombras por mais de mil anos, criando sua própria cultura e civilização na sociedade humana. O mandato deles é manter a paz no Mundo das Sombras e mantê-la escondida do mundo mundano enquanto protege os habitantes dos dois mundos.

Apesar de sua ascendência, Caçadores de Sombras são mortais e, portanto, vulneráveis a velhice e morte; no entanto, o seu sangue angelical fornece habilidades especiais que lhes permite alcançar feitos além do humanamente possível através da aplicação de runas angelicais.